Dormir na mesma cama, não?

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Foto: Camilla Antunes – Camilla e Leandro Fotografia.

Qualquer puérpera entende da arte de colocar seu bebe no berço e ele acordar chorando antes que você pudesse sentar.

E desse fato se repetir pela noite toda até que você, exausta, decide levar ele pra cama e deitam juntos só pra você descansar um pouco, ou amamentar. O bebê dorme tranquilo… e você só percebe quanto tempo passaram ali depois de despertar assustada de como descansou.

O bebê está chorando porque ele te quer não porque ele é mimado, malcriado, malvado, exigente, maldoso. Você é o mundo pra ele.

“O bebê está chorando porque ele te quer. Não porque ele é mimado, malcriado, malvado, exigente, maldoso. Você é o mundo pra ele.”

Quem inventou essa separação do bebe da mãe? Quem inventou que eles deveriam dormir em berços? Dormir sozinhos?

A cama compartilhada sempre gera divisão de opiniões: “ele pode se acostumar, pode dividir o casal”. Como se o casal precisasse de um bebê na cama pra justificar o fato de não haver mais sexo ou carinho. Quando bate a vontade, qualquer lugar da casa é lugar. Quando  a vontade não bate, as questões vão além do bebê que dorme ali.

Sempre que fico em duvida do que fazer procuro pensar na Carolinie bebe. Como ela se sentiria bem? Como se sentiria acolhida? E nesse momento as respostas surgem no meu coração tão nitidamente que ficam mais fortes que qualquer regra da sociedade ou aqueles costumes que a gente segue repetindo porque disseram que deveria ser assim.

Nove meses ali, dentro de mim, completamente protegido, abrigado de todo mundo de interferências. Que sociedade estamos mostrando pra esse bebe que assim que nasce deve entender que já começou a crescer e precisa se enquadrar? Enquadrar sua fome (três em três horas). Enquadrar seus medos, seus choros, encarar sua solidão, o escuro, o vazio do quarto… assim tão cedo.

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Bruna Luz recém nascida e no sling.

Nove meses sentindo o cheiro, as emoções, abrigado ali naquele ventre maravilhoso! O único capaz de gerar aquela alma naquele instante. Porque quando o RN sai dali já encara regras frias e duras como a separação do corpo ou a solidão do berço? Porque temos que aprender tão novinhos a sermos independentes?

Vínculos podem ser criados de uma maneira não sempre positiva. Há vínculos de dependência que se perduram pra depois da chegada da maturidade. Fico pensando se essas relações (de mães e filhos) que não se “desmamam” depois de adultos, não tiveram o vínculo positivo e de afeto prematuramente quebrados ou inexistente.

Ali no colinho, no sling, dormindo com meu calor, meu amor, onde nenhum medo apavora, nenhuma tristeza engole e onde a solidão fica menor porque é compartilhada.

Mamãe e bebê fusionados, encantados com o milagre da comunicação silenciosa que é o amor.

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