Lembrar de não me grudar ao meu corpo

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Texto de 2010… mas os questionamentos ainda passam por aí…

Lembrar de não me grudar ao meu corpo!

Não esquecer que essa casca que envolve meu espírito, minha parte divina, é finita. É cíclica e não eterna.

Esse meu corpo eu devolvo pra terra. Essa energia material eu reciclo. E retorno, e retorno.

Não sou esse corpo. Sou o além desse corpo. Sou sua parte imaterial, sou sua parte abstrata e inatingível. Sou para o infinito de suas subjetividades.

Não sou o cheiro desse corpo. O cheiro como produto do meu ser é um estado vulnerável de mim.

Meu corpo é onda. É ciclo. É terra, fogo e ar em outras proporções. É alimentado de água e vida.

Meu corpo é divino e terreno. É sagrado. É buraco e preenchimento. É pecado (será?) e sacrifício. É prazer e dor. Sou eu e o todo, ligados por algo maior.

Posso adereçar meu corpo. Torná-lo atraente, chamativo. Posso deformá-lo. Posso moldá-lo com minhas atitudes e palavras, moldá-lo com meus “nãos”, principalmente.

Mas será sempre uma experiência transitória. Eterna em conhecimento humano, mesmo que inconsciente. Eterna em vivências sensoriais. Mas finita como matéria física.

 

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