Entrevista Crescer

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“No meu meio, todas já estão ricas antes dos 27, para aí sim pensar em filhos. Fiz o caminho inverso”, diz Carolinie Figueiredo

A aceitação foi uma das mudanças que a atriz vivenciou depois de se tornar mãe muito cedo. Hoje, ela diz que aprendeu a dar um novo significado ao conceito de realização. Em uma conversa sincera, ela desabafa sobre as dificuldades e as maravilhas de ter filhos.

(Entrevista super deliciosa que dei pra Juliana Benetti  da Revista Crescer. Muito bom falar abertamente do que tenho pensado)

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Aos 18 anos, Carolinie Figueiredo estreou em Malhação, em 2008, como a personagem Domingas. Sua imagem, então, ficou marcada pelo público jovem. Por isso, foi uma surpresa quando a atriz engravidou e foi mãe duas vezes em um curto espaço de tempo. Hoje, aos 25, ela passou por uma mudança completa e se entregou de corpo e alma ao mundo da maternidade. A transformação se reflete em seus novos projetos, que incluem escrever um livro, produzir uma peça com a também atriz Samara Felippo e selecionar a dedo seus possíveis papéis para a TV. Além de ter todos esses planos e de cuidar integralmente dos dois filhos, Bruna Luz, 2 anos, e Théo, 8 meses, Carolinie tem um blog sobre maternidade, o Canto De Mulher Que Canta, onde troca experiências com outras mães.

Em entrevista à CRESCER, a atriz conta detalhes sobre o corpo pós-gravidez, carreira, felicidade, medos, descobertas e tudo o que aprendeu com a chegada dos filhos.

CRESCER: Você é uma mãe jovem. Sentiu medo quando descobriu a gravidez da Bruna?
Carolinie Figueiredo: Acho que a gente sempre tem medo daquilo que não controla. A notícia da gravidez foi algo que escapou ao meu controle, então fiquei assustada, sim. Ser mãe nova não é fácil. Fomos educadas pra estudar, trabalhar, ter casa própria, carro e, no meu meio, todas já estão ricas antes dos 27, para aí sim pensar em filhos. Fiz o caminho inverso e aceitar que minha história aconteceria em um tempo diferente exigiu maturidade. Foram os papéis sociais e ficou a pergunta: “Quem sou eu?”

C.: E com a gravidez do Theo, o que foi diferente?
C.F.: Com a Bruna, desde o momento em que descobri a gravidez, vivi em função da gestação. Fiz ioga desde cedo, lia muito, via vídeos, organizei as coisas com antecedência. Já com Theo foi diferente. Digo que “descobri” a gravidez de verdade aos 8 meses e meio. Fiz uma novela inteira (Sangue Bom) e uma participação especial em Malhação, já com sete para oito meses. Só no final de tudo me dei conta de que estava realmente grávida e que ele iria nascer em um mês. Ele ainda estava sentado, na barriga, acho que esperando esse meu movimento. Foi quando troquei de médica, entrei na ioga e assumi meu parto!

C.: Ter duas crianças pequenas em casa não deve ser fácil. Como é sua rotina?
C.F.: Caótica (risos). Passo os dias tentando conciliar a atenção que os dois exigem. Na maior parte do tempo, pedem colo juntos. Mas a gente vai se ajeitando. Tenho ajuda do meu companheiro, que também trabalha em casa. Cuidar da casa e dos filhos sempre me pareceu submissão e falta de liberdade. Estou aprendendo e dando um novo significado a todos os meus valores e aos meus conceitos de realização. Tento equilibrar essa vida de dedicação com autonomia e realização pessoal.

C.: Pensa em voltar a trabalhar em um futuro próximo?
C.F.: Um dos temas que mais faz sucesso quando escrevo [no blog] é o cotidiano da mãe e como ele não é considerado um trabalho. Quando pensamos em trabalho como uma soma de atividades realizadas, esforço, atingir metas… Nossa, nunca trabalhei tanto na minha vida! Essa desvalorização do ofício de cuidar do lar é assustadora e muito impregnada em todos nós, além de ser cruel com a mulher. Já nos encontramos tão divididas em tantas questões e ainda recebemos essa cobrança. Hoje, considero escrever para o meu blog um trabalho. É energia que invisto. Tenho me sentido em paz com a possibilidade de ser feliz assim e de achar meios alternativos para viver conciliando tudo. Tenho projetos específicos como um livro que estou escrevendo sobre maternidade, uma peça que está na fase de captação com minha amiga e mãe de duas, Samara Felippo, na qual discutimos todas essas questões da maternidade com humor e crítica… Somos atrizes e autoras. No ano que vem, o Canto da Mulher Que Canta terá um canal de vídeos, sugestão das próprias seguidoras do blog. Quero viver do que eu escrevo, voltar a atuar só se tiver um papel bem legal e alinhado com essa nova mulher que sou.

C.: Quando voltou a trabalhar depois de ter a Bruna, sentiu algum tipo de culpa?
C.F.: Não. Amamentei e cuidei dela exclusivamente até um ano, então, confesso que estava louca pra voltar a trabalhar.

C.: Você é bastante aberta com seus seguidores quando o assunto é seu corpo. Está preocupada em retomar o peso que tinha antes de engravidar?
C.F.: Não faço nenhum tipo de dieta. Muito pelo contrário: acho que estou na fase em que como tudo o que quero e na hora que quero. Sei que a amamentação em livre demanda tem me impedido de engordar e me ajudou a emagrecer alguns quilos, mas nunca mais me pesei. Fiz isso uma vez na gravidez, uma vez depois que ele nasceu e nunca mais. Talvez em algum momento desperte em mim uma vontade de ter aquele corpo de volta, ou não, mas estou me respeitando. Por enquanto, ela não existe. Ando meio rebelde com esse padrão de beleza que liga magreza à realização e à felicidade. Essa ditadura do corpo magro é uma forma de nos reprimir e nos frustrar. Desde pequena escuto que devo emagrecer e tudo que fiz na TV, em algum momento, estava ligado ao corpo. Tenho fugido desse estereótipo. Quero ser livre para ter o corpo que quiser. O entorno que se adapte às minhas escolhas.

C.: Acredita que sua profissão contribuiu com a ansiedade de perder peso após a primeira gravidez?
C.F.: Sim. É uma pressão absurda. Parece que as atrizes já saem mais magras da maternidade. Entrar em forma é prioridade e exigência deste meio.

C.: Você tem levantado diversas bandeiras: sobre amamentação, padrões de beleza… Acha que a maternidade fez de você uma pessoa mais “engajada”?
C.F.: Sempre fui assim. Sempre quis transformações, questionei, busquei uma sociedade mais justa, mais amorosa. Era engajada, mas não sabia canalizar essa energia para coisas específicas. A maternidade me ajudou nisso. Estou reconhecendo minha voz e o poder que ela tem. Tento entender como posso ajudar pessoas e viver disso ao mesmo tempo. Posso afirmar que hoje minha vida tem mais propósito, não pela maternidade em si, mas pelos processos de autoconhecimento e transformação que ela desencadeou, e por legitimar um sonho que tenho desde criança, que é escrever e comunicar.

C.: Qual foi a maior surpresa da maternidade para você?
C.F.: O espelho. A possibilidade de me conhecer, de me ver refletida, de enxergar os defeitos, as qualidades, a luz e a sombra. Educar pelo exemplo é a única forma. As palavras têm impacto, mas agora entendo a comunicação não-verbal, feita pelo olhar atento e constante deles. A percepção das energias, de tudo o que não é dito, também comunica e ensina. Ser mãe é um processo diário de autoconhecimento e cura. O bebê que fui durante toda a minha infância, minha relação com o meu corpo e com as minhas escolhas… Tudo veio à tona. É doloroso, mas dá poder. Há beleza no caos.

via http://revistacrescer.globo.com/Pais-famosos/noticia/2014/12/no-meu-meio-todas-ja-estao-ricas-antes-dos-27-para-ai-sim-pensar-em-filhos-fiz-o-caminho-inverso-diz-carolinie-figueiredo-sobre-maternidade.html

 

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