Descobri que amo as mulheres (que escrevem).

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Descobri que sou apaixonada pelas mulheres!
As que escrevem são minhas favoritas.
Pra si mesmas, além de tudo.
Se outra pessoa ler, é lucro.
Se outra se identificar, é gozo.
Mulheres vivas e mortas.
Mulheres que escrevem porque não conseguem carregar tantas palavras no coração.
Porque a poesia jorra do cotidiano.
Só a poesia me salvará do tédio do cotidiano.
A poesia ou as drogas.
Todas elas… as proibidas e as permitidas.
A coca cola, o brigadeiro e o comprimido.
Toda forma de recompensa que acalme meu ego inflamado, quase mimado.

Meu ego insatisfeito.

Meu ego é uma criancinha implorando atenção.

Aos dez anos as meninas não são mais crianças.
Eu também não era.
Já dancei muito na boquinha da garrafa.
Desde aquele tempo eu tenho evitado ser uma pessoa má, errada.
Tenho medo de ser punida.
Tenho medo que todos meus amuletos e afetos terminem no esgoto.
Tenho comido demais desde então. Até meleca.
E chupo os dedos, porque tenho medo de roer as unhas.
E tenho medo de tudo que é feio em mim.
Por isso tenho sido, há anos, uma pessoa boa.
Fui enquadrada, moldada, violentada a ser essa pessoa boa.
E correta.
Por isso sou essa pessoa boa.
E correta.
Meu primeiro porre tomei aos dezoito, na casa de alguém que nem conhecia.
Sei que se chamava Lua, e que eu já pagava minhas contas.
Há anos tenho sido treinada a enxergar só a luz.
Só amar o belo em mim.
Confundi otimismo com uma visão distorcida (de mim e do mundo).
Quando me deparo com minha sombra fico do avesso.
Não sei o que pensar.
Dizia que sou apaixonada pelas mulheres (e seus escritos).
Elas tem me dado força pra vomitar meus traumas no papel e a nem sempre engolir as frustrações, elas demoram anos pra ser digeridas em mim.
Talvez agora até emagreça!

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