Violência: Quebre esse ciclo

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Sou de uma geração onde o uso da violência ainda era aceito como forma de educar. Tapas, tapinhas, belisquinhos e beliscões (principalmente os discretos, por baixo da mesa, sem que ninguém visse…) Essa violência ficou registrada em mim. E quando nos tornamos mãe, usamos os recursos que conhecemos para “impor respeito, limites”.

Sempre considerei abusiva a pratica de bater, além de saber que pode virar hábito. Não batia, mas gritava. Já ameacei, puni, já usei de castigo (escondido num lindo nome de “cantinho do pensamento”). A existência dessa violência (em mim) e nas minhas formas limitadas de educar, sempre gerou sentimentos de frustração e incapacidade.

Comecei o texto dizendo que “usamos os recursos que conhecemos” na educação. Mas nada nos impede de questioná-los, de entender que talvez eles sejam obsoletos pros tempos atuais. Daí a importância da informação, da pesquisa e da tentativa de jeitos alternativos de viver / ser.

A violência além de física, pode ser emocional ou psicológica e fica registrado na criança a possibilidade de usar esses recursos na vida. Ficam os castigos, as cenas de punições e agressões mas não os reais motivos, a importância de ter uma segunda chance, a vontade de ser diferente. O exemplo de mudança.

Fica a violência, não o aprendizado ou a relação de conseqüência! Fica gravado uma educação baseada no medo, na insegurança, na punição, na dor, na falta, na raiva, no descontrole e imediatismo… E tudo isso é repetido pelas gerações que não ousam quebrar esse ciclo!

Durante anos pensei “eu mereci aquelas palmadas” como se fosse saudável pra qualquer ser humano se considerar merecedor de violência e humilhação. Acredito que cabe a cada um quebrar esse vínculo com a violência (ela é inerente ao ser? Como lidar?).

O mundo mudou, as crianças mudaram e a forma de ensinar também precisa ser revista. Quando paro pra pensar nas palmatórias ou nas escolas educando através de castigos físicos, sei que estamos evoluindo e que cada geração que consegue inserir formas positivas de educar baseadas no amor e na confiança contribui pra essa evolução.

Se não é certo bater em ninguém na rua, no trabalho, na escola porque ainda permitimos que algumas crianças apanhem dentro de sua própria casa? Pra ensinar? Ensinar o que? Como não agir, na verdade.

O respeito e os limites conquistados através de vínculos de confiança são mais fortes. É um caminho lindo porém árduo. É revisitar seus lugares mais abandonados, automáticos, pequenos, quase cruéis. Tão distantes do que queremos ser que fingimos (pra nós mesmas) que ele nem existe.

É a busca diária de novos caminhos. É aprender a partilhar a intimidade e o tempo da real escuta, da disciplina positiva, do acolhimento, da observação e reconhecimento dos padrões de crises (das duas partes). É a cada novo gatilho de explosão conseguir pequenas vitórias e novos estímulos. É não conseguir em dias de exaustão, mas isso não minar a tentativa de mudança.

É uma intensa e eterna pesquisa (interna e externa) de novas formas de ser. É o desenvolvimento de uma paciência inesgotável, quesito indispensável na lista de qualquer mãe (alguém sabe onde compra???)

Educar é apenas ensinar a obedecer?

Cheguei a conclusão que também quero ensinar a desobediência. Que meus filhos desobedeçam (com sabedoria) tudo que os desrespeite, tudo que os faça sentir menos do que são. Os sistemas políticos, os comportamentos, as formas de consumo, os abusos, a dominação, as relações doentias. Que saibam questionar, reavaliar com criatividade e liberdade de expressão! Que sejam menos submissos, menos dependentes da aprovação ou reprovação externas. Que sejam seguros para atrair pra perto de si pessoas que não gritem suas próprias incompetências. Que não permitam humilhações ou agressões, porque sabem que existem outras formas de se relacionar!

Queremos um mundo diferente e melhor do que temos hoje e pra isso precisaremos de novas pessoas, mais corajosas, vibrando em padrões de energia mais altos e sublimes.

Que meus filhos sejam livres das minhas expectativas e projeções, das minhas frustrações…. Que não se julguem merecedores de qualquer tipo de violência!

Que saibam romper todos os padrões. Ainda que sejam os meus próprios ensinamentos se em algum momento eles ficarem defasados. Que fiquem os valores, o respeito (ao seu ser e ao seu corpo) e o amor acima de tudo!!!

Indico a leitura do livro “Educar sem violência” da Lígia Moreiras Sena e Andréia C.K. Mortensen que pode ser comprado no blog Cientista que Virou Mãe. Confesso que estou na metade do livro mas já tive insights poderosos que vieram colocando na prática o que eu já vinha buscando de transformação pessoal.

Indico também a pesquisa sobre Comunicação Não Violenta (CNV) e a confiança nessa forma poderosa de relação que vamos ouvir muito falar por aí!!!!!!!

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