Exterogestação

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Já ouviram falar em exterogestação???

Já tinha feito uma oficina há um tempo e agora retomei meus escritos pois a Palestra da Laura Gutman (breve publicarei uma resenha) também chamou atenção pra Exterogestação.

O bebê humano, comparado com outros mamíferos, é o mais dependente de cuidados e atenção. Eles necessitam de suas mães para se alimentar, se acalentar, se locomover, precisam de nós para tudo e por um bom tempo.

Ao nascer, os bebês ainda não possuem o cérebro completamente desenvolvido. Se os bebês permanecessem no útero por muito tempo e seus cérebros continuassem a crescer, a cabeça seria grande demais para passar pelo canal vaginal. O cérebro continua se desenvolvendo logo após o nascimento, e o crescimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses. “Para um bebê humano atingir a metade do seu tamanho do cérebro adulto levaria cerca de 18 meses de gestação” (Trevathan).

A técnica da EG é defendida por alguns como “quarto trimestre”, ou seja, após os três trimestres gestacionais, o bebê até três meses, precisaria desse tempo pra se acostumar à vida além útero.

A maioria, porém defende a EG até os nove meses, que é quando o bebê ganha maior mobilidade e capacidade de se locomover sozinho , ganham mais independência.

Este é o momento que os bebês já se movem por conta própria ou rastejam. Tanto o rastreamento como atingir 50% do tamanho do cérebro adulto, sugerem que a gestação extero útero é completada cerca de nove meses após o nascimento.

Seja até três ou nove meses, o bebê humano nasce mais necessitados de cuidados que qualquer outro animal.  Também nascem com a necessidade de toque e afeto: presença, carinho, acolhimento.

Portanto é vital a importância da mãe e do bebê permanecerem em contato e juntos durante este período de desenvolvimento. Os demais (cuidadores e pais) devem garantir a possibilidade da criação de uma relação simbiótica entre mãe e filho.

Não há evento mais maravilhoso do que a verdadeira fusão entre mãe e bebê, onde ambos desfrutam do mesmo território emocional.

Isso significa que o bebê deve estar em proximidade constante, ou nos braços de sua mãe, ou em contato com o corpo de sua mãe (colo ou sling). É importante o contato com a pele.

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Exterogestação é a possibilidade do bebê voltar às condições uterinas após o nascimento.

São questões como:

Alimentação em livre demanda. Oferecer o seio não somente pra alimentar mas pra acolher ou suprir a necessidade de sucção.

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Quem nunca amamentou no carro? foto: Camilla Antunes

A técnica de enrolar bem o bebe em sua manta pra ele sentir a segurança do limite (pacotinho, casulo).

Dar preferência às posições de lado. O bebe não está acostumado com deitar de costas, então pode ficar mais nervoso se colocado assim. Pode ser segurado de lado, com o braço da pessoa amparando sua barriga (ajuda na eliminação de gases, desconforto) e eles adoram. Reprodução do barulho uterino (shhhhh bem perto do ouvido do bebê) Aqui falam da possibilidade de acalmar com barulho de aspirador de pó, rádio fora de estação. No útero o bebê estava exposto à todo som dos órgãos, coração … esses barulhos soam como conhecidos.

E claro a parte que mais me chamou atenção: O contato. Abraçar, carregar, beijar e massagear.

“Sim, os bebês tem necessidade de leite,
Mas muito mais de serem amados e receberem carinho
Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados” LEBOYER

Na oficina aprendemos canto para bebês, desde o útero até para acalmar, estabelecer contato.
Falamos da importância da voz materna. Cantar pra mim sempre foi uma forma de me acalmar primeiramente, e como num reflexo, a tranquilidade e segurança passavam pro bebê.

Shantala.

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A famosa massagem milenar indiana que leva o nome da mulher paralítica descoberta pelo médico Leboyer.

É uma massagem que intensifica o afeto entre o bebê e a mãe. De extremo contato pois a massagem é feita sem roupa e com movimentos que ajudam na circulação, liberação de gases (diminui cólicas), e oferece segurança emocional pra vida do bebê. É indicada principalmente pra construir vínculo, olho no olho.

 

 

 

A necessidade de movimento:

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Como o bebê permanecia em movimento no ventre da mãe, o uso de um sling seja num passeio, numa caminhada ou nas próprias tarefas da casa.

*Antes que digam que é moda fazer uso do sling. É uma tradição carregar seus filhos com panos junto ao corpo na maioria das culturas não urbanas: entre tribos indígenas brasileiras, peruanas, bolivianas e mulheres africanas por exemplo. O bebê sente-se mais seguro em contato com o corpo da mãe. Consequentemente chora menos. A Mãe fica com as mãos livres pros trabalhos da casa ou pra dar atenção pros outros filhos.
Prefiro acreditar não só na EG até os nove meses como quero levar esses conceitos de proximidade, contato, massagens, colo e vínculo pra vida. Pros resgate da intimidade e proximidade com meus filhos, pra que eles tenham a certeza de que meu colo sempre estará disponível pra eles. Tanto fisicamente quanto emocionalmente.

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