Disciplina Positiva na prática

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Sempre comento que a parte mais difícil pra ela entender é que eu amamento o irmão.

É também o momento que me sinto mais “sugada” em todos os níveis, tendo que dividir atenção entre os dois, conciliar a fusão de alimentar o bebê e responder as demandas da mais velha que nessa hora aumenta o tom, a voz e a necessidade de ser olhada.

Especialmente no final de tarde, que já estou exausta de maternar os dois (sozinha),  o desafio  passa a ser não transferir o cansaço pra eles, pro meu tom, pra minha voz e pra minha necessidade de também ser cuidada. É um exercício diário de dedicação, respiração e observação.

É uma sabedoria de relevar, de saber o que não enxergar porque não é tão importante assim, as batalhas a travar… e principalmente entender  a frase “paciência é a arte de liberar as cargas emocionais dispensáveis para manter o estado de paz”.

Hoje entendo que no pico do meu estresse, da minha frustração, deixar as lágrimas caírem não é um sinônimo de fraqueza ou um “não dar conta”. É quase renovador quando num tom purificador.

E aqui deixo uma observação do meu cuidado pra que essa “limpeza emocional” seja não vire um personagem. Digo, quando choro, percebo que ela se acalma e tenta me entender. Então que não vire constante o gatilho de cair no choro como forma de trazer a calma.

É… Na maternidade, quando a gente pensa que já sabe todas as respostas, as perguntas mudam e sobra pra nós a reinvenção, o buscar novos caminhos pra evoluir. Pra manter a consciência sempre elevada e aprendendo. Até porque eles estão sempre observando e repetindo.

Retomando… estava eu tentando amamentar ao som de músicas relaxantes e BL começou a olhar pra mim e insinuar que mexeria no computador, queria “tirar a música”. Fui pedindo com carinho pra que não mexesse, pra que saísse dali mas nessa hora ela já estava trepada na cadeira olhava pra mim e ria com a mãozinha no computador “vou tirar a música”. E eu imóvel com o irmão grudado no peito.

Daí respirei.

A coisa mais importante que uma mãe deve saber nessas horas é: lembrar de respirar. Respirar sempre, na verdade, desde o parto. Sabia que teria dois caminhos: seguir pelo mais automático de “tira a mão agora”, “vou contar até três”, “me obedece”, “vou contar até dez”, “quem manda aqui sou eu”, “vou contar até mil”… “quer me provocar?, me tirar do sério?”… e todas as nomeações do tipo: “teimosa, malcriada…”.

Tenho refletido sobre essas nomeações. Tenho certeza que crianças de dois anos jamais imaginam o que é ser malcriada… então é inútil dizer. Sem contar que ao chamá-los de malcriado estamos criticando a nós mesmas e assumindo uma certa incompetência.

Mas num surto (de iluminação?) mudei completamente o tom e falei, cheia de energia, de um jeito quase infantil: “Quero escolher um brinquedo, me ajuda? Abre o baú e vamos ver o que tem lá!!!!”.

Não sei se foi a música relaxante que trouxe inspiração ou se foi uma criatividade que aflorou com o encontro de “Disciplina Positiva na prática” da API – Rio pela manhã. O fato foi que ela esqueceu tudo e com aquela energia de criança abriu o baú e logo na primeira bolsa tirou os brinquedos e se distraiu brincando por horas…

O irmão mamou, arrotou, foi pro berço, e rolou até foto sem que ela percebesse.

E eu fiquei muito emocionada por perceber que sempre há alternativas pra educar, pra ser diferente sem repetir antigos padrões. Cabe a nós pais conscientes, sempre oferecer alternativas e cultivar o amor!!!!!

 

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